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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

BlÁ - bLá - BLá - bLÁ.... bla


  É impressionante o cinismo humano frente aos seus melindres, o ser é capaz de qualquer coisa para fugir, tal qual o medo fosse uma sessão diurna da mais escura tempestade, a dúvida em questão é se o melindre não nasce verdadeiramente de experiências que vivemos, reais ou irreais, e que como egoístas como somos as guardamos para nós até o ponto de sermos confrontados com os nossos monstros, os medos paralisantes de uma sexta-feira agonizante, porém poderia ser num sábado mesmo.

  Um sábado que Pedro pensava ser tranquilo, mas não foi, não será e não é, na verdade desde que sua mulher, melhor amiga, tinha ido aos lares dos setes celestes Pedro vivera para não viver, dedicava-se aos sobrinhos, aos amigos e principalmente ao ar, dava trabalho respirar nesse mundo que se transfigurava-se pra ele em uma ambiente hostil.

  Acordou com o burburinho dos pássaros a sua janela, pombos, lindos pombos defecando em sua vista que dava ao muro, com pesar venceu sua primeira batalha do dia, exatamente às 12h27min, um feito muito comum ao guerreiro Pedro.

  Levantou seus ombros doridos de sorrisos maliciosamente verdadeiros perante o mundo, ergueu seus olhos famintos de misericórdia e abaixou seu queixo frouxo caprichosamente forjado pelo boxeador da zona de calafrios.
  
  Seu estomago ainda reclamava suas atitudes e Pedro já estava a levitar pesadamente pelos postes, quem sabe não se contaminasse pela iluminação fraca da sua rua, quem sabe um carro não pudesse alçar voo, principalmente em direção a seus olhos.

  Arrastou-se pelos caminhos retos e batidos de seu pensamento, e aproximou seu corpo, no máximo até o ponto de locomoção por eixos com sistemas hidráulicos e pneumáticos, e adentrou sua constante porta dos infernos. Mais uma vez o dia não iria mudar, mais um dia que ele não permitia a mudança transformar.

  Não sentia vontade de permanecer ali, não sentia mais vontade de enfrentar, ele apenas deixou seu corpo andar, apenas deixou sua mente atrofiar, e teceu lindos tapetes persas, confeccionado pelas vidas de terceiros, feitos à mão da caridade de seus inimigos.

  Ele, dia após dia, misturava seu sentimento de ausência de emoção profunda com a falta de metade de seu coração, confundia morte com vida, atrapalhava-se na rinha de suas paixões.

  Como uma máquina que tem a certeza de ter certeza nenhuma, ele arrastou seu dia, seus anos, sua vida a cada minuto que sua respiração teimava em assoprar ferragens, ao invés de pólen da mais singela flor divina.

  O dia terminava como se começasse agora, o sol se punha ao mesmo tempo em que a lua desaparecia, quem havia de sequestrar a lua, quem havia de tampar o sol com peneira, a muito os meteoros excluíram nosso planetinha, a muito tempo Pedro tinha desaparecido com seu próprio universo.

  Ele naquele momento, como nos momentos de seu futuro do pretérito, adentrava seu limbo limpo como uma casca de arvore em uma sala cirúrgica prestes a operar mais um dia de sua vida mesquinha e melindrosa  de seu cinismo perante suas viagens ao tempo.

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