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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Amor em Vontade

 Se proibido, não saber
Insiste em mim, o querer
Desabrochar-te ao léu
Um beijo só, iremos ao céu

Talvez eu não devesse
Mas e se tú cresse ?
Que mais vale nosso silêncio
Do que o "surdo" de convênio

Arrisco em te desejar
Pobre coração a soluçar
A cada mãos dadas
A cada... olhadas ! 

Suas digitais em mim guardadas
Teu perfume a instigar
Provocar ! Anseia em validar
O amar, já em nós, marcadas

Arrisca teu corpo em mim
Deixa o entardecer criar jardim
Unissono do desejo são
Percorrendo a sua ordenação
Nos permita sufocar o ar
Que, junto a ti, me faz amar !

......................................A.J. Oliver

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Insonhos

Em meus sonhos, o sabor agridoce de nossa relação ainda tateia os lábios inconsequentes de assobio nobre e apaixonados.

Em meus sonhos o terremoto nunca tremeu e o furação desenfureceu, diminuindo o abismo, que se faz agora, entre você e eu.

Em meus sonhos o senhor caquético não roubou nosso tempo e nem sentou a ponta da mesa de nosso lar instrumental.

Em meus sonhos o caminho para nós está livre, sem obstáculos, sem ameaça de guerra, combatíamos somente o dissabor.

Em meus sonhos você me orienta sobre como andar nas estrelas, comprar planetas e se despedia com um beijo molhado.

Em meus sonhos confessava seus planos e agonias, medos e valentias para manter o rumo, nosso lar, ao paraíso profundo.

Em meu sonhos as "in" eram diretas e o status não mudava, era eu mais você e alegrias triviais.

Em meus sonhos beliscava para acordar e transformar o sonhar em amar.

Te Espero

Escafandre em minhas janelas
o aroma destinado a ti, lançado
pelo arco-íris de minha retina,
que ousado, retém cada detalhe
de vossas pétalas.

Flor de Quaresmeira encoraje-se
e desabroche sobre o broche
enlaçado nas energias enuveadas
que derramam sobre nós.

Apresenta ao fronte a cisão
com o passado pueril e vês
os calabouços de ombros abertos
tateando um novo porvir.

Sem armação, por favor ...

Olhos amendoados, lindos de ver
E escondidos em armação
Te admiro mesmo sem saber
Para te conquistar, qual a provação?

Sei que as vezes muito perto, longe está
Mas para minha mão lhe ofertar
Não há distâncias, só o amar
Enquanto o vinho bebes
Aceite essas flores
Uma para cada Beleza que és!


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Asteroide

 Olá você ai de cima, ser cósmico que antes brilhava e agora em explosão resolveu sair pelo espaço a fora, a tanto tempo dedico minhas súplicas a ti, desejos efêmeros de te ver perto de mim novamente, sentir seu calor a cegar meus olhos, tapa olho que antes me protegia mas que agora restringe, obliqua meu caminho, percurso que eu tive que olhar para trás para a ver a beleza perdida das margens que por cego estar, ignorei.

  Pedi aos céus em momentos de intensa obscuridade, flores do mal, beleza urbana de achar que a realidade é fantasia e criar ilusões onde antes nada se via. Roguei que viesse asteroide para dar nova vida a estrada que achava perdida, mas que era eu quem não a percebia. E perceber é além de ver, é sentir o ar refrescar seus olhos e nem chorar, pois tem a certeza que merece a misericórdia do imperador.

  Reino belo que fez meus diamantes distorcerem os passos firmes dos mal cuidados em areia fofa, tesouros que acordam ante o imprevisível, e não há maior surpresa do que a realidade louca de ser consciente frente aos obstáculos vividos somente por mim.

  Asteroide se me escutou desinforme esses dados de sua central, desplugue a energia vital de seu coração, eu já me arranjei por aqui, o reino é magico e era só eu que cego não vislumbrava o fim das agonias de inverno nos chãos de outono. Sabe asteroide choveu aqui, molharam em mim as lágrimas de verão do imperador, o sol despertou suas pétalas de rara beleza e em cores frias esquentou meu semblante num sorriso sem fim.

  Peço agora ser navegante que pule esse meu pedido, o planeta é lindo e eu sou ele, como mitose aguda visualizo o universo colorido de meus olhos no reino doce banhado por minhas experiências de água salgada, pororoca de sentimentos que causados pelo brilho antes emanado, mas que agora navega no espaço em busca de mais um entrelaçar de mãos. Por isso asteroide querido jogue fora meus pedidos.

  Não venha me encontrar, sou feliz nessa estrada, a cada passo que dou me redescubro e me transformo em algo muito maior que seu poder destrutivo, sou alma, sou cigano de Deus, sou flor, sou leão - eu, enfim sou eu.

  Voltei de meu torpor mental, vivo e energizado nos jardins de Colon, fontes imigrantes, socorristas do universo me banharam no mosteiro, solar a me conscientizar que as janelas da verdade olham em minha direção, reluzem o reino em espelhos d’água, cintilações aglomeradas no visor mental de meus novos atos.

  Aqui asteroide eu me refiz, aqui me larguei, enfim nessa estrada eu intensamente vivo as aluíras que é aprender em tenra pedra dura, exercito meus conceitos para suportar as monções das temperaturas de meu ser.


  Então não emplaque aqui seus ventos enverdejados, Asteroide suma e desapareça, se der me esqueça, fique em si os momentos de rara tristeza que vivi, não terás fotos e nem vídeos dos filosóficos sorrisos que dei e darei a partir daqui, meus olhares estarão em volta a uma proteção natural, estará belo em dizer com sentimentos o quanto viverei feliz. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Royals

  Loucuras da consciência invadem meu ser, mãos me tocaram assim de repente, num rompante estarrecedor, os olhos, tal qual, a mais bela pedra preciosa sentiu-se em meu ser, o sangue escorria ao lado de minhas confusões estabilizadas e meu desejo aumentava ao passo que o êxtase da sua vida se entrelaçava com a minha.

  A noite uivava para nosso encontro, amedrontava-se com nossa relação magistral, intimidades exercendo seu papel de intensificar as relações separadas pelo mestre das ampulhetas.

  Reencontros a cada segundo, a uma velocidade iluminada que engolia nossas vontades, atropelados pela paixão, pelo desejo de abraçar mais uma vez a energia que brota de seu espirito.

  A pele arrepiada dava o sinal de que a hora do sustento já chegava em seu atraso quase fraternal, como lobos corremos pelas florestas de nosso pensar, criando cenas dantescas de paixão e aventura.

  A cada milímetros que íamos nos aproximando uma nova aventura, o core pulsava em mil cores, pintávamos o ambiente com o arco-íris que queríamos, flechas flamejantes de sentimentos e desejos provocavam nossos corpos, e o habitual formalismo foi dando espaço a uma intimidade prazerosa e extraordinária.

  E num estalar de estrelas o fogo queimou nossas mãos, adentrou nosso fluxo vital, pelos olhares invadiu a nossa alma e finalmente sob um júbilo de Deuses os lábios se tocaram, dando inicio a uma batalha pelo espaço, um querendo ter mais daquele pequeno universo.

  Os dedos entrelaçavam, a musculatura antes aberta flexionava diante da tensão causada pelo choque das energias em comunhão, mentes num só propósito de fluir as vontades guardadas a anos, tempos antigos de aflição que agora se resumiam a pó, substituída por desejos e carícias.

  O perfume emanado de seu corpo deslizava por minha alma, me atiçava e comprimia-me a um estado de alerta, quem era? Quem pudera, assim, me enlouquecer, suspeitava de algo, mas era simplesmente seu ser a se acoplar ao meu.

  Tentei me recompor alimentando meu corpo, mas era impossível tirar meus olhos daquela figura emblemática que tinha, por mágica, saído de meus sonhos e transformando-se em realidade. Não comi direito, sai logo dali, queria mais daquele néctar a abençoar meu ego e espirito, estava alucinado e louco para concretizar meus pensamentos vagos.

  Minha mente divagava, só queria decolar com minha nave e leva-la ao espaço infinito, aos céus, e foi o que eu fiz, com a permissão de minha deusa, transformei meu alazão em nave espacial e parti ruma as estrelas.

  O caminho foi leve e repleto de nossos espelhos, não esquecíamos nem por um minuto quem éramos, mas agora, nos permitíamos a ver o cosmos em sua essência mais bela.

  Suas mãos que antes se encontrava com as minhas, agora jubilava em meu corpo fazendo minhas pupilas saltarem sobre seus misteriosos olhares diante de nossos beijos acalorados, com intensa troca de carinho e permisas, naquele momento éramos somente eu e ela.

  Posso ainda hoje sentir o aroma de seu corpo encostado ao meu, forte, agridoce, intenso, espetacular sintoma do desejo e carinho que possuía todos meus sentidos.

  Ensejo seu sabor a beijar-me calmamente em seu frisson louco, lábios ardentes que me provocam, chamam meu signo a suas paragens, e eu ousado vou e entrego a ti tudo que posso.

  Abraços fortes a deixar marcas nos meus pensamentos, em meu corpo os sinais do desejo a lembrar-me do momento mágico, prazer a fazer criações diárias sobre como devemos ou podemos caminhar, as nuvens parecem tão pequenas daqui de cima.

  Frisson que retorna, um vai e vem psiquiátrico a deixar meu sangue mais vermelho, energia nova a domar meus monstros, lugar agradável a permitir dar ar aos meus instintos.

  Suas mãos e seus beijos navegavam em meu luar, o sol escondia de seus encantos, o mar de seus desejos serpenteava seu ser e molhava-me com seus olhares tiços de ver e sentir o ar que soprava de nossas imaginações irreais que solidificaram num momento de raro prazer.

  Com a tênue luz vejo e recobro sua silhueta, ondas a maquinar meus braços e lábios, os cabelos soltos atreviam-se em tocar minha pele e fazer disso mais um circo, onde nos entendíamos na deselegância de nos permitir sentir.

  Um momento a durar mais que a cronologia atual da humanidade, víamos agora como uma verdadeira chama que aos poucos se misturavam e se atiçavam ao vento das palavras proferidas.

  O reino estava concretizado e na mágica da vida, finalmente, éramos um só, uma única luz a iluminar os desejos e prazeres de um universo todo, as estrelas sorriam e se divertiam com a cena quase que vulgar da dança realizada de nossas almas.

 As flores abriram somente com o toque de suas mãos em meu ser, o brilho daquele momento desabrocha ainda nas ondas vibratórias do universo, do nosso mundo, do que vai ser.

 O ar fica mais leve ao som de sua voz que estarrece em meus ouvidos palavras impronunciáveis da magia, que perene, habita nossos sonhos, espantando desvalentes, melindres que somem quando me beija.

  E nessa levada de coisas, a poesia fica mais instigante, a prosa vira carta para qualquer um que queira replicar o impossível, o nosso momento de amor.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Me desculpe por meus atos criança


  Da onde vem esse medo que descubro agora, vem da perda, da perdição, da falta que me faz tua luz, mágica dolorosa, que adentrou os meus poros e me fez um ser febril, em toda sua plenitude eu te vivi, compartilhei sonhos e festas ricas e pueris, buscando soluções entre um beijo ou outro.  

  Me desculpe por meus atos, ações infundadas que só causaram dor e remorso, e num momento perguntei-me olhando o vento brilhar, o que pensavas quando minh’alma ainda não se tinha armadurado, quais eram os planos? O que tinha vislumbrado para mim?

  Não há lugar que eu vá que eu não rememorizo seus sorrisos, não há calçada que eu ande sem correr o risco de me jogar no mar de asfalto, te salvando de monstros que avermelham seus olhos e ouvidos, mesmo agora, inflamando sua alma.

  Me culpo pelo atual momento, não acredito que atrapalhei sua vida e de todos, minha chegada só trouxe bombons docemente amargos pelo fel de minha presença, que pressentiu ciúmes e barcos à deriva no mar de lágrimas que é a existência.

  Você nem imagina a vida que te espera, abre seus olhos, pois o espaço não me deixa controlar seu tempo, a angustia toma conta do duo que sou hoje, desejo a todo instante te avisar que às vezes o cego não abraça, e assim, escapa da rota de fuga dos melindres futuristas.

  Não sou o filho que queria, não sou o homem que queria, não sou o irmão que queria, eu não sou o que eu queria.

  Me indago, era para pisar na lama desse jeito? Porque eu quis ir à festa! Sem sentido.

  Não enxergo por vezes como me equilibro em rochas pesadas, as mesmas doem em meu rosto toda vez que me lembro das chamas que te queimaram para que tu fosses o que és hoje, um ser admirável.

  Maravilhas  cinjas de um tempo onde o pequeno era rei e tinha o destina como servo, bastou-lhe um abraço no começo e outro ao fim da linha para que gelos descessem do fogaréu de sua trilha.

  Me desculpe por me sentir o estorvo, me desculpe pelas desculpas, eu sei o quanto isso é irritante e fardoso numa mente sã, me descause a maneira rude que lido com minhas pegadas, que ao tilintar de uma tempestade vão descuidando-se até esquecerem.

  Não conheço mais minhas qualidades, vivo alternadamente em mundos disvirtuadamente paralelos, só vejo algo do que um dia foi, mas foi e ainda não voltou, mesmo assim me desculpe, estou cego.

  Peço, e clamo a algo o poder de voltar , apertar o regredir das coisas somente para avisar como é belo o bater das ondas nas rochas e perceber se o vento ainda esta forte, vai, ande logo, o tempo não para e mesmo sabendo disso é quase impossível ver o novo sendo capa de museus, vidraças a expor o que um dia foi e não é mais.

  Às vezes me findo, sorrio os sorrisos que deveriam ser mais alegres, sou pequeno, o grão é montanha ante meus olhos que inertes se deixam levar pelo espelho mal fundado.

  As falhas da minha lona são invisíveis perto da falta do palhaço, mas o show tem que continuar, só esperava menos drama e mais comédia.

  Continuo a crer na filosofia da porta que tem tranca, mas não consegue se fechar, acredito que esse não era o sonho alimentado, qual era? Como se chega ao mar de estrelas, afinal, de quem é a culpa?


  E me termino, me confundindo com isso ou comigo, mas sempre lhe pedindo pelos males que queimam a alma e criam tempestades, me desculpe, em alguma parte eu ainda lhe sinto e vivo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Segue a vida

Sabia que aquele dia
Estaria gravado em mim
Gosto de fruta proibida
Um olhar especial assim
E Gaia enfim me atendia

Os ventos cantarolavam
Sinais de um destino
Onde os Deuses sonhavam
Meu mundo em desatino

Bailava em minhas ideias
Orquestradamente seu olhar
Meu mundo iria mudar

Maestro dos ventos e do mar
Cuidou de nossas vidas musicar

Então, segue o som!

sexta-feira, 21 de março de 2014

A Realeza do sonhar

O que eu posso dizer
É da importância de sonhar
Dos seus voos sobre o mar
Que me fez continuar a viver

Sem eles me perderia
Na essência da vida
Na ilusão do que queria
Um caminho só com ida

Por anos essa angustia
Que insistia em me matar
Cegando meu olhar
Enfim, mixou em água o que era hóstia.

Dogmas de um mundo servil
Onde oprimem cada infância
E buscam a felicidade viril
Pregando suas mãos em ganância

Sonhem, o mundo é maior
Creem, seu umbigo é descentralizado
Amem, eis o caminho abençoado.

Não importa idade
Sonhar não tem limites
sonhe amor, sonhe tolices.


O caminho doura, floresce
Se acreditarmos em nós
Sonhe, sonhe mais, pois acontece. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Resquícios


O sol nasce resplandecendo seus lábios.
Como brincadeira provocam meu ser.
Amedrontado, corro em mim.
Curioso, esforço-me para crer
Que por dom divino, tú guarda-me em teus seios.

Os ventos da imaginação
Pulam em nossa direção.
Ainda posso sentir.
O arrovalhar de seus cabelos.
A me fazer existir.

As cadeiras nos olham
São voyeurs de nosso sonhar
Até o varandar do hotel muda de cor
E se nossa áurea faz brilhar
Danças ensolaradas gritam e anuviam

Tribos de canibais assolam minha mente
Dominam minha perplexidade
Atônito seu beijo me desmente
E o espaço-tempo fica insano
Na nossa atemporal afinidade

E nesse momento o mar
Espalha seu tilintar
Acordamos desse reencontro
E mais uma vez a vida em aquarela
Resquícios de você, estrela!   

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Desconexos

  Você me chamou, eu não escutei, eu te implorei, mas foi em silêncio e teu sangue partiu, fugida de uma realidade cruel, saiu e tentou me dizer algo, apavorante sensação de estar queimando.

  Pergunto-me a razão de ti ainda perseverar em meus pensamentos, meus atos querem esquecer o passado para me encontrar no futuro, mas como deixar marcas se não há praia?

  O Sol logo aparece e meus dragões continuam a atiçar meteoros de fogo dos mais gélidos possíveis na minha mente obscura, negra pelos teus dizeres de adeus que falsamente se mostraram em sorrisos.

  Hoje te vejo feliz, mas quem na frente de uma tela não sorri sempre? Será que menti para si também ou só é mesmo uma mania reencarnacionista de me magoar, a tempos tive um sonho....

  Mistérios rondam o seu olhar, pois desde pequenina é por eles que fala tuas verdades, uma lastima poucas pessoas saberem disso, uma tristeza somente eu compreender o que seu mar verde azulado diz entre açoites nas costas de quem mais te ama.

  O poste da rua teima em apagar, imagino serem energias oriundas de meus poros, que sofridos exalam força branca tão mortal quanto seu olhar, te busco nas redondezas, em vão acordo para mais um dia em claro.

  Minha luta é me manter em pé, a batalha só termina quando o ultimo homem cair, e eu ressuscito quantas vezes for preciso para te ver, essa batalha eu não perco e você cairá, debruçará em meus ombros onde só sentira meu gozo de alegria.

  Palavras fortes para mostrar uma fonte virtual, demonstrações malucas de uma mente sem ideias povoam a esquadra de seus pensamentos que um dia lhe convencerão de que aquela montanha eu movi só para os raios celestiais brilharem em seus olhos.

  Minha capa eu guardei no armário para um dia especial, um dia em que você precisará, hoje ela fica empoeirada e ainda tem manchas, manchas de teu batom, lembranças de uma noite mágica que ainda martela.

  A chuva não vem, a única coisa que molha é a lagrima arteira que roça meu rosto, sentado no beiral da rua mergulho os pés no asfalto fofo, retiro sobre mim uma carcaça, levanto meus pensamentos aos céus,  sem antes reparar na imensidão da singularidade da luz que me ilumina e então desfaleço minha mente em frente do local onde foi nosso primeiro beijo.

Palavras desconexas sobrepostas em um texto anil, meio ocre, mas o que na vida é conexo, senão a própria “desconexidade” de nossas ações frente aos nossos olhares que teimam em sentir algo diferente.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O pôr de momentos cruciais

  Tentei falar, fazer você me escutar, os barulhos a nossa volta eram terríveis, eu já tinha me acostumado com eles, ruídos a sussurrar fofocas intergalácticas, lhe atentei que isso pudesse acontecer, mas você era só ouvidos a rua, a parcerias virtuais que nunca serão leais a ti.

  No inicio precisou e eu estava lá, presenciei minhas atitudes, eu tentei, fiz o que era necessário, mas o luar não te inspirava por mais que eu dissesse “olha aqui”, você entrava numa guerra já esperando sua derrota, nem aguentou eu reunir minhas armas.

  Eu vinha de batalhas sangrentas, onde o prêmio era minha carne, não quis que esperasse nada de mim, você esperou valsas aonde só tinha pedras rolando, minérios estilhaçados de minh’alma.

  Sabe às vezes sou triste, às vezes feliz, mas acredito que numa guerra aprendemos a dar valor a momentos singelos e delicados, invisíveis a olhos grosseiros, às vezes me perco em meu próprio caminho, e nem eu sei quem eu sou.

  Você não entendeu, eu já sofri demais em guerras passadas, perdi coisas de valor inigualáveis, bens que eu tento até hoje reconstruir, nem minhas súplicas fizeram com que você percebesse que eu nunca comparei guerras, mas é que eu tinha traumas para esquecer.

  Não pense que é fácil ser guerreiro, quando durmo sonho com batalhas terríveis, sonho com a morte, sinto de novo a infância morrer em meus braços, e é trágico a rotina de crer numa liberdade que em segundos se mostra a pior das celas, a desconfiança vêm à tona e insisti em domar-me.

  Eu até compreendi suas cartas e marcações, tentava fazer com que eu me esquecesse de tudo e vivesse uma nova era, mas sinceramente precisei de mais tempo em nosso momento, você não entendeu assim, queria em seu turno a paciência fundada, eu necessitava de mais vida para esquecer o que se passou.


  A guerra não acabou, não desisto fácil, e preciso  que olhe nos meus olhos e me dê armas para eu batalhar, ferramentas que garantirão um futuro, em suplicas lhe peço, acredite no impossível, nem que seja só por um segundo, se liberte das suas crenças e sua visão derrotista, de seu ser melindroso e seja você mesma, uma pessoa que faça, antes que anoiteça, eu me esquecer de tudo que eu sofri.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Melindres de apliques romanos

Fugir já não adiantará de nada, cavalos voadores correm entre as nuvens, clareando as estradas com suas vontades intermináveis de nos encontrar, flamejam raios, visão sobrenatural da poderosa gama de Deus.

Olhar nos cegará os sentimentos, amedrontados raivaremos contra quem pode verdadeiramente nos amar, ato complexo em sua simplicidade melindrosa quando o que mais queria era esculpir coragem usando goivas forjadas no fogo de suas fobias.

Extasiadamente angustiada se propõe a voar e combater dragões, mas seus pés no chão atrapalham uma ampla visão, as nuvens de Pasargada assobiam cânticos de guerra ao ritmo de baião, o estrondo já vinha, balas e canhões só deixariam mais um coração partido.

 As flores murchavam ao passo que o confronto se dava, a beleza do universo nada mais era, agora, do que expectadores de uma luta intima. Uma guerra que quem somente perdia era a própria pessoa que muito preocupada em manter a linha que daria seu caminho de volta donde nunca saíra, nem via o seu se machucar.

Perde-se muitas oportunidades numa sangrenta guerra de danças e beliscos, hipocrisia a defender a mascara de forte, realmente, é uma lamúria a tal rara beleza não deixar as mascaras caírem, suas pétalas são tão mais belas no ar, uma lástima gostar tanto de suas raízes.

As coisas se permeiam na eternidade não pela sua materialidade mas sim pela sua alma, sua esperança, seu poder de amar e enfrentar oceanos se preciso só pelo prazer de ter uma única oportunidade de, simplesmente, pular.

O céu escurece, os cavalos aportam suas faíscas, seus raios queimam nossas florestas, as ruas se transformam em veias onde os glóbulos das incertezas luta por um espaço no caos da esperança, de malas prontas, se posiciona, flexiona os punhos e cerra o olhar, o mesmo que impossibilitado de voar, sonha, lança para o céu todo seu esplendor, vendo a mensagem, o Cosmo avisa a Káiros e a ajuda atemporal das passageiras vestimentas vem trajadas de anjos.

Amuletos e pedras são usadas, finalmente o confuso texto se finaliza, a trégua se faz até segunda ordem de chegada. Fénix à vista, uma pena no chão, suspiros e canetas memorizam a nova realidade. Infelizmente é só a primeira, a guerra não acabou.

Até a segunda, até a segunda meu bem.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Assim se faz reticências

Vai à merda você que provoca tempestades e depois se esvazia feito balão, o copo se esgotou, cansei de sofrer, entra e sai feito criança brincando de  “esconde-acha”, realmente a vida não é justa, ou é e eu não sei, talvez tenha sido imperador e estuprador de pensamentos puros das mais variadas mulheres do vento.

Cada um escolhe seu caminho, e eu escolhi o meu a centenas de anos quando deixei meu planeta para me aventurar aqui, disseram para mim que serviria para meu aprendizado, mas sei lá, as coisas não andam boas para mim.

Os anjos trevosos devem estar contentes e orgulhosos de mim, enfim perdi uma batalha, prestem a atenção, eu refiz um batalha e não a guerra.

Quem me conhece sabe de onde venho e para onde vou, sabem das minhas lágrimas de sangues escorridas pelos meus olhos e por todo meu corpo, sabem que ainda há cicatriz e que de vez em quando elas doem, só me pergunto, por quê?

Quando pensei em aportar aqui, não planejei isso, uma pessoa jurou me aceitar, mas simplesmente desvairou-se, e outras, não suportam e nem estão preparadas para todo meu entusiasmo e força mental, não conseguem entender minha passionalidade.

Acham que me conhecem e nem sabem a mínima metade, se dizem, por atos, donos da verdade, forjam humildade, tecem teias azuis de cetim, metalizadas com a incompreensão das trevas sobre meu bem maior.
De madruga vejo sombras e trevas, mas não se preocupem estou bêbado demais para me sintonizar, é e sempre será, o motivo de tanta batalha, o simples eu.

Não se preocupe não estou sofrendo, estou simplesmente falando borboletas desconexas, o sol raiou em plena lua de júpiter e nós agora ficamos num tremendo apagão. 

Mas uma vez queria ser feliz, mais uma vez queria voltar, mas voltar não,  não me deixam mudar o mundo, o que farei senão simplesmente lutar, batalhar, simplesmente por mim
.
Não sofro e nem sofrerei mal algum, só quero pensar no presente e no futuro, e se no meio cair uma lágrima, não faz mal, somente me fará ver que eu realmente, e de verdade, tenho sentimentos invólucros para o mal.
Perdoe-me, estou bêbado precisando de um abraço irmão, me perdoe, mas continuarei lutando e não temendo mal nenhum.

Amém.


Ass: Um soldado de verdade

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Problema, o que nos faz crescer

O que nos imita, o que nos move, dizem que o caminho percorre nossos medos e aflige nossa coragem, realmente é preciso muita sabedoria para entrar nesse novo velho mundo, onde os mesmo caminhos antes percorridos aparecem tal qual fase de um jogo repetitivo.

Ter lucidez nos atuais dias de guerra, silenciosamente, sangrenta, nos faz querer sair para dentro de nós, como meninos melindrosos corremos para onde mais enfrentaremos o inimigo, e isso é perfeição divina.

Tudo entra em acordo, quando aceitamos as clausulas das leis imutáveis, uma vez ditas, aceitamos ser as vitimas, ser caído no chão das amarguras, enfrenta a dor de um novo raiar dos sóis que o seu pequeno planetinha tem a oferecer.

Chuva vem agora a molhar nossas sementes, orvalhos da manhã a insistir no nosso gozo, prazeres a nos revigorar nos planos sublimes do mundo terreno, temporal a nos guiar para o caminho das consequências de nossas causas.

As flores brilharão rumo ao nosso sorriso, dentes perfeitos da felicidade, é o despetalar que deixa o arbusto mais forte, é rosa rara a nos dar a mão, agora, não estamos mais sozinhos, estamos unidos no mesmo grito.

Ungidos da clave do amor, a melodia soa como sorvete tomado rápido demais, entra na mente e não sai mais, de olhares trocados, lhe beijo a face, de tombos e partidas, me mostro com mãos fluídicas, suor vermelho a escorrer pela visão.


Loucura, simples devastação, o que queremos é saber por qual ponte cairemos, pois só assim, mergulharemos no mar do mundo, só assim buscaremos esquecer o passado de mentes intrínsecas para ver o raiar de um novo amanhecer.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

I hope in your soul has hope

Eu sei que não é fácil correr e nunca se acometer do sucesso, desvairada vida a mudar o percurso sempre que a rosa desabrocha, pequena flor amarelada que a cintilação, incansavelmente, teima em beijá-la a face.

Realmente compreendo sua pressa de sair daqui, é uma loucura esse lugar, o barulho só é para o silêncio, e quem vive na ânsia de volitar, acaba por colocar correntes em suas andanças.

Peregrinos e ciganas não devem olhar esse horizonte, ele só nasce para quem é prisioneiro de seus medos, e medo se espanta com olhares e beijos. Venha, então, a me oferecer sua mão.

O verde da relva se estremece a nossa presença, o seu ar imponente e vaidosa te faz a mais poderosa das ciganas, andas na ponta de seus abismos, fazendo chicana com os percalços que seu inimigo lhe dá, embrulhado em papel de presente.

Não se importa em bater frenéticamente à porta de seus amigos a fim de alertá-los sobre nossas dificuldades, não se importa em dar-te com um muro a te ignoraste, você dama-mulher sem gênero algum é mais poderosa que tudo isso, és na verdade uma deusa.

Deusa de sua presença soberana, és a ti que rogam suplicas por um pouco mais de sorte, um pouco mais de energia vital, suas tranças escadeiam rumo ao paraíso de seus abraços, rumo a intangíveis formas de amor.

Receosos os céticos creem apenas nas suas histórias e técnicas, mas vosso inimigo e irmão não perdoa e faz aqui revelar consequências às causas, muitos não aceitam e padecem, mas sua força mãe está em tudo e a tudo tu abraças.

Os caminhos antes lentos, agora são dinâmicos e animam seus frequentadores, o sol raia todo dia da mesma forma esplendorosa, suas mãos benzem o mundo e pratica o bem por ser simplesmente o que és.

Cigana, complexa e diva de seu território, solo esse que chamamos por universo, em outros arbustos da constelação deve ter outros apelidos, mas isso nada importa, pois de longe te vimos, e aplaudimos a dama de um mundo mágico passar.

Agradeço a ti por me achar, eu estava a desistir e descer de meu cavalo bretão, mas uma flor se abriu no momento em que uma lágrima derivada de meu ser caiu sobre seu botão, ali eu percebi que tinhas me achado, em reza eu pedi e de perdido me encontrei, seu amor reinou em mim e a sintonia assim se fez.

Uma sintonia não é mágica, é sim uma busca de ambas as partes, é o encontro dos desencontrados, é quando sabemos qual lado escolher, muitas vezes a magia esta lá e você nem percebe, não tenta e se alimenta de sua cegueira, é preciso acreditar e buscar, às vezes o amor esta lá, ao seu lado, e você acha que é por mágica que o elo da frequência acontecerá, não se engane, olhe a flor e deixa a poderosa cigana entrar.

Deusa da mente humana e de outros carnavais, agradeço a ti meu esplendor e meu apreço, és tu a dar energia e saúde aos raios solares da vida, faz-te presença em todos os lares, tu és forte e poderosa, controle o tempo se necessário, pois somos crianças e não conhecemos a verdade, nos apascente enquanto estivermos a beira da praia, a água é fria e sombria, faça-se eu em mim.


E se mesmo assim não te visualizarem, grite e berre bem alto que és a esperança.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Algo acontece


O ar resplandece em forma de leves raios minhas expectativas nada pueris, meus medos se formam em escala geométrica, tal qual, mapa estrelar das linhas traçadas pelo nosso bom Deus.

Sinto que a decisão antes tomada, realmente foi acertada, todos que lhe cercam à escondem atrás de uma cama de poeira, que cansada, tu deitas.
Estafada, deixa que todos a influenciem, todos os cantos, que antes pontiagudos, se mostram arredondados atrás de seus disfarces, se mostram a ti como queridos de pelúcia, onde a faca é mais importante que a obra.
Nada se faz para convencê-la, que o que acreditas, não passa de palavras semiabertas rumo às inverdades, mestres da distorção, jogam-te em câmaras espelhadas que somente se fazem representar pelas ideias que lhe fazem pensar.
Sêmolas da desgraça a choverem no entrelaçamento de nossos destinos, fizeram com que eu fizesse o reverso dos antônimos incorretos, sem arrependimento, meu presente se desfaz de seu laço para fazermos acreditar que há chances de consertar os conceitos de contrários.
Ouros encobertos pelos erros de nosso pretérito mais que perfeitamente dedicados à nos unirmos, não nos venciam só por carrancas medievais inconformadas pelo nosso aprendiz amor.

Demonstraram o quanto, unidos, podemos atrapalhar planos mundiais da destruição dos povos sábios, o quanto caminharíamos ao bem maior, se estivéssemos no mais profundo oceano de equilíbrio, a harmonia fica presente quando nossos ideais se sobrepõe aos imperfeitos passos que damos um ao lado do outro, podemos um dia estar em rumos de sentidos contrariados pelos nossos passos, mas nunca a ovelha se perderá do rebanho, para sempre estaremos no igualitário destino.
Estrelas sopram palavras de esperanças rumo ao desconhecido futuro de nossas ações, atos do acaso a provisoriamente fechar as persianas de nosso bendito lar.

A causa continua a dar consequências, nossos lírios se fazem amarelados, mas isso insignifica que não podemos despudorar o entrevero de tornar mais limpa a água que passa pela ponte de nossos corações.
Mistérios se apresentam e esclarecem o tédio das separadas mãos que se perpetuam no físico, mas não em nossos sonhos, moderados encontros fizemos ao som do luar da escola daqueles que um dia se enamoram pela vido do outro.
Orquídeas florescerão odores da benevolência, o sol raiará para aguar os lírios que agora desvirtuam, mas que poderosos ressurgirão para brilhar e criar novas naturezas.

Resultaremos os nossos passados, um dia poderemos concertar o que não esta quebrado, bagunçado por outros  cavaleiros, traidores da floresta, que cavalgam seus cavalos flamejantes alimentados por ofensas e rancor, retornaremos ao ponto de partida para em algum momento presenciar o redemoinho formando alianças com nossos, agora, bandidos, um dia caminharemos ao sabor de nosso florido saber, imersos no mar jardiresco de amor.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ruas vibrantes, Avenidas contagiantes

Saímos e dançamos ao som de uma guerra silenciosa, ruas e avenidas tomadas por bastonetes, cotonetes violentos de uma língua afiadamente venenosa que insistia em se lançar sobre os colonos, nada mais importava, somente a honra de uma plantação ainda nem semeada.

Eram dizeres para todos os lados, principalmente para o lado interno de cada um, a paciência esgotara-se para, se os anjos assim quisessem, nunca mais voltar. Os gemidos pudemos ouvir a anos de distância, eram gritos de nossos pais a preocuparem se com nossas anarquias domésticas que tanto custava a nossas bocas, necessidade intermitente a disser quem era o herói recém-criado da imaginação coletiva de um homem só.

O mar se lançava pelos asfaltos de um campo cinza e sem cor, que agora estava vibrante, estava a criar rosas de lágrimas, flores do querer cidadânico, que desabrochavam a cada momento que emergia pelo ar o hino nacional.

Momento de rara beleza, baleias e golfinhos dançavam em pratos gigantes, profanavam palavras poéticas sobre determinação, ao fundo os gêmeos só olhavam a fim de fuxicar à mulher com o pano na cara, a cegueira deveria ser uma qualidade, porém , ainda é vitima de uma grave doença, 'Julgusparcialis domesticalentos', ela faz a cega ver e andar rumo a fuga de suas responsabilidades.

Grandes mentes se fizeram por pequenos gestos, gestos diários de um mundo que quer ser mudado, um pão sovado a duras surras de um povo recém-lançado a revolução, uma máquina a lavar nossas besteiras e erros pueris.

Todo tempo é tempo de se benzer na busca pelas suas ideologias, reza santa de uma democracia, movimento rítmico de dança republicana a lançar-se no espaço das marionetes obscuras.
Mentes poluídas a barrar o caminho alegre do bem estar, da sabedoria coletiva que quer evoluir e amadurecer, já chega de poderes tirânicos a satisfazer vontades nefastas de jugos nepotistas da cerne além-terra.


Caminhar, lutando, segurando o sangue de seus ideais, empunhando desejos de criar um novo eu coletivo, um herói sem dono, uma vida sem abandonos, tudo é possível no país da sacanagem levada a sério, o inacreditável torna santa solução possível à luz dos olhos dos filhos que não fogem e nunca fugirão a luta. 

Vento leva essas palavras ao seu caminho de origem


Perdoe-me pelo meu passado, ele se extraviou no futuro de minhas emoções, sei que quanto mais eu corro, mais eu paro em desatinos extravagantes, realmente me perdi nos sentimentos corriqueiros por ti e me fundi ao cotidiano frágil. Suas sandices me faziam feliz e sinto saudades.

A distância que mais corrói é a emocional, é ela que faz com que você cumprimente a todos e me pule de seus abraços, a dor cega e depois esclarece o quanto de ti, minha mente perdeu. Eram desafios eternos, dias intensos do mais divino calor, erros conhecidos, não impedidos.

Me desculpe pelas invasivas, mas eu estava em guerra e o prêmio era você, só a ti não confiaram esse segredo, eu estava encurralado e a fuga era sinal de derrota, naturaliza-me pois assim os desaforos sumir-se-ão tal qual poeira na vastidão.

O deserto tem seus altos e baixos climas e tu não apercebeste que lhe impunham verdades imperfeitas, principalmente sobre mim, pequena flor de lis, eu quis ser forte e não me adoentar, mas a mente humana não é e nunca será uma ciência exata, temos imperfeições que mesmo que entendamos dificilmente aceitamos nossos sagrados pecados decorrentes da fragilidade corriqueira.

É de difícil entendimento do por que o sapo vira príncipe e a bela casa-se com um ogro e vão morar nas estrelas, eu aceitei essa verdade, desde o inicio sabia que sua linha mal traçada terminaria torta, mas a ti coube um simples abraço, e nem eu estando num leito de quase fúnebre você criou coragem para tal feito, ainda me pergunto na noites insones se era por medo de amar ou pela vontade de fugir, fato era que com o passar das luas, caiu ,entre irmãos,   de sua rubesça o covarde vinho originado das sua janelas d’alma.

Os anos passam e vamos nos acostumando com o tempo maluco de nossa era, talvez seja preciso esse momento para depurarmos as flores do diabo que colhemos em nossas aptidões, mas uma coisa não mudará, a imagem, o cheiro e a sensação que vivemos nas tardes de domingo, onde isolados podíamos sermos nós e eu sentia toda sua verdade através de seu descanso em meu peito.

Não ignore minhas determinadas vontades de lhe fazer feliz, nem sempre elas vêm ou vieram em forma verde, às vezes aparece na forma de prece e do tato todo abafado pela sua cegueira presente em todo clérigo.

Exime-me da culpa, pois eu mesmo no fim só queria fazer nascer o sol, assim a luz penetraria em sua alma, a veria feliz e eu suas esmeraldas verdes mais uma única vez se entrelaçar aos meus.

Desculpe-me por querer ver estrelas!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Reflexos cegos


  Chega uma hora que temos que nos decidir, qual caminho percorreremos, o doloroso ou com pedriscos, é inevitável o surgimento da dúvida em potencial a atrapalhar os planos de guerra humano, criar ou não criar um novo ser, um novo eu, deixaremos de lado o jeito criança e passional ou mergulhamos na onda da exata hora, ser racional, comedido e selvagem, puro instinto artificial.

  A mudança já chega ao salão e quer tratamento completo, choro e sorrisos e velas, ritual sagrado de transformação, os batuques já estremecem os galopes do meu andar, as escadas já se fazem gigantes de aço rumo ao portal do desconhecido, em diretriz singular ao homem que avisto no espelho, ao meu adversário mais negro.

  É difícil atingi-lo, ele é rápido, viril, ele sou eu, aquele cara ali a me olhar freneticamente guiou meus passos até onde estou, desfaço ou não desse olhar, os golpes ficam cada vez mais incomuns, é por causa da empatia intensa que sinto, eu sei por onde ele foi e o que passou, qual foi seu sofrimento, qual é, ainda, sua dor, eu vi sorrisos e discussões incansáveis, eu  enxerguei amor e aprendizados.

  Quantos risos e cicatrizes compartilhados contigo, o sangue jorrou de minhas mãos, impulsos cortados à lâmina fria, qual o teu desejo, a morte para sempre lembrada, sinal de coragem ou a vida medíocre e mundana na qual sempre fugimos.

  A passos largos a janela me engole, o sol se engrandece, as estrelas permeiam meu sono e você me olha incansavelmente nos meus olhos, é incomodo te ver assim com essa alegria, e esse sorriso malicioso para mim, quer me confundir, quer me ludibriar as fantasias de um futuro museológico pseudo-neural.

  Flores enfeitarão a entrada de minha mais nova residência, e você estará juntando sua moldura estilhaçada, seu cinismo dará lugar ao meu resplandecer, arpoador ilimítrofe da mais nova esfera intima planetária, esse será você, esse será eu.  

  Recolho os cacos após pousar sobre as estrelas, a luz cegueia o horizonte de palha, as paredes de madeira pulverizada permanecem ali com meus riscos mil de metal, as nuvens se entrelaçam no reflexo do chão, solo que abriga um passado, pisadas deixadas nos escombros do meu outro eu.